Informações distorcidas podem ter motivado protesto de toyoteiros em Surubim

Na manhã desta segunda-feira (6), manifestantes incendiaram pneus na rodovia PE-90, na localidade de Lagoa do Choro, em Surubim. O bloqueio da via foi motivado por uma decisão judicial que afeta os motoristas de transporte alternativo do município de Caruaru.

A Justiça determinou que a Autarquia de Mobilidade de Caruaru (AMC) intensifique a fiscalização contra o transporte alternativo, proibindo a circulação de veículos clandestinos onde já existem linhas regulares de ônibus. A medida provocou mobilizações da categoria, que chegou a interditar ruas da cidade, mas de forma pacífica.

A sentença foi proferida pela 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Caruaru e atende a uma reivindicação antiga da Associação das Empresas de Transportes de Passageiros de Caruaru (ETPC). Pela determinação, a AMC é obrigada a cumprir as normas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil ao município.

Em nota, a autarquia esclareceu que apenas cumpre uma ordem da Justiça e que as fiscalizações se restringem ao território de Caruaru, sem atingir as viagens intermunicipais.

Dessa forma, o transporte alternativo entre Surubim e Caruaru não seria prejudicado. Como vivemos em tempos de WhatsApp, em que mensagens, principalmente em áudio, se espalham rapidamente e muitas vezes são interpretadas de forma equivocada, alguns integrantes da categoria acabaram incendiando pneus na PE-90, interrompendo o tráfego e causando danos ao patrimônio público por uma situação que não altera a rotina das viagens dos loteiros de Surubim.

Em entrevista à Rádio Integração FM, José Ronaldo Barbosa, presidente da Cooperativa dos Toyoteiros e Transporte Alternativo do Agreste de Pernambuco, com sede em Surubim, sequer tinha conhecimento do bloqueio. Naquele momento, ele estava em Caruaru prestando solidariedade aos loteiros da cidade, que como já foi dito, realizaram manifestações mas sem incêndios. Ou seja, nem mesmo no único município atingido pela decisão houve um ato dessa natureza. Além de Caruaru, apenas em Surubim ocorreu interdição de rodovia, o que reforça a idéia de que os organizadores do movimento acreditaram erroneamente que seriam também impactados pela medida judicial.

Já no sábado (4), começou a circular em grupos de WhatsApp a falsa informação de que os toyoteiros estariam proibidos de entrar em Caruaru e que, quem descumprisse a suposta regra receberia uma multa de R$ 10 mil.

Outra versão, igualmente falsa, atribuía a proibição à Prefeitura de Caruaru e ao Governo do Estado. Na realidade, a administração municipal cumpre uma determinação da Justiça, e a multa seria aplicada ao próprio município caso deixasse de executar a ordem judicial, e não aos loteiros. A sequência de informações desencontradas acabou contribuindo para o protesto registrado em Surubim.

Na manhã desta terça-feira (7), novos áudios voltaram a circular pelo WhatsApp convocando uma manifestação semelhante, desta vez na comunidade de Barra da Onça. Assim que tomou conhecimento da situação, José Ronaldo tratou de desestimular a iniciativa.

Ainda durante entrevista à Rádio Integração FM, ele afirmou que não concorda com esse tipo de protesto e informou que a sentença está sendo analisada por advogados. Ronaldo acrescentou que outras reivindicações dos toyoteiros da região, como a retirada de restrições para circulação em mais de 50 ruas de Caruaru, estão sendo avaliadas por meio do diálogo com o poder público.

Ao que tudo indica, o episódio que provocou transtornos em Surubim foi consequência do chamado “telefone sem fio”, expressão usada para ilustrar situações em que uma informação passa por várias pessoas e chega ao destino final diferente da versão original.

(Fonte: Correio do Agreste)

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