Estudantes pernambucanos são selecionados para feira de sustentabilidade nos Estados Unidos

Horas de estudos, experimentos e pesquisas científicas foram recompensados para os estudantes do Colégio Militar do Recife (CMR), na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife, que foram selecionados para participar e representar Pernambuco na Genius Olympiad, uma das maiores feiras de sustentabilidade do mundo.

O evento ocorre entre os dias 7 e 13 de junho, na St. John Fisher University, na cidade de Rochester, nos Estados Unidos.

Em conversa com a Folha de Pernambuco, os alunos João Gabriel Dutra e Laís Ribeiro falaram sobre os seus projetos e a expectativa de participar do evento pela primeira vez.

Incentivados pela professora de geografia Goretti Cabral, os estudantes começaram a ter contato com práticas de inovação científica para desenvolver projetos que pudessem contribuir de forma significativa com a realidade vivida pela população pernambucana desde cedo.

“Na área de geografia, eu induzo, incito e perturbo os alunos para trabalharem as questões ambientais e buscar soluções para esses problemas”, falou a docente.

Dutra, que tem 17 anos e está no terceiro ano do ensino médio, criou um sistema de pré-tratamento para resíduos de hospitais do mundo e defesa das superbactérias, que configuram um grave perigo para a saúde humana.

Ao lado do colega João Pedro Fonseca, os dois produziram uma plataforma capaz de retirar poluentes, pesticidas e fármacos que desenvolvem a resistência às bactérias.

“A gente está trazendo uma solução inédita que não existe no mercado ainda para solucionar esse problema que só vai se tornar maior, que é da resistência do bacterióide”, pontua João Gabriel Dutra.

“É algo muito grande ser selecionado, passar pela banca de ampla concorrência e ser aprovado para representar o nosso projeto de Pernambuco em uma feira mundial lá nos Estados Unidos, é realmente algo inimaginável e que a gente alcançou com muito esforço. Eu acho que a ficha só vai cair de verdade quando a gente pisar na feira e a gente entender que a gente conquistou”, finaliza o estudante.

João Pedro Fonseca e João Gabriel Dutra, alunos do Colégio Militar do Recife, fizeram uma plataforma flutuante para limpar poluentes da água de hospitais. | Foto: Seção de Comunicação Social (COMSOC)/CMR

Já o trio Laís Ribeiro, Leonardo Schuler e Helena Medeiros desenvolveram biocarvões inéditos capazes de retirar agrotóxicos da água.

“A gente decidiu criar um bioabsorvente que fosse capaz de retirar esses agroquímicos da água e desenvolveu o nosso carvão também ativado a partir de sobras vegetais daqui de Pernambuco e da Mata Atlântica”, contou Laís, que tem 16 anos e está no segundo ano.

Os estudantes Laís Ribeiro, Leonardo Schuler e Helena Medeiros produziram biocarvões ativados a partir de sobras vegetais da Mata Atlântica. | Foto: Seção de Comunicação Social (COMSOC)/CMR

Após meses para conseguirem chegar aos resultados finais de seus respectivos projetos, conquistar as vagas para participar da feira foi motivo de muita alegria para os os alunos.

Importância da pesquisa

Além da futura participação na Genius Olympiad, os projetos já participaram da Mostratec, considerada a maior feira de ciências da América Latina, que foi realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em outubro de 2025.

As pesquisas inovadoras conquistaram as primeiras posições da Mostratec, o que representa a importância da iniciação científica na vida dos estudantes pernambucanos.

“A gente sempre faz os projetos pensando em solucionar o problema mesmo e fazer contribuições para a comunidade. Quando a gente tem esse tipo de reconhecimento, é um bônus e ficamos extremamente felizes porque dedicamos bastante tempo para a submissão desses trabalhos”, explicou Dutra.

Para o aluno, que iniciou a participar de iniciações científicas no 9º ano do Ensino Fundamental e quer entrar no curso de Medicina, a pesquisa possibilitou que ele saísse de Pernambuco pela primeira vez.

“Eu não sabia que, no ensino médio, eu poderia ter uma vivência de verdade de laboratório e saber que eu sou uma cientista e executar experimentos de planejamento. E eu consegui entender e desenvolver tudo isso, então foi verdadeiramente transformador. E mesmo como médico, eu quero continuar de uma forma ou de outra pesquisando e trazendo inovações”, disse.

Apoio

Para custear a viagem e a estadia durante os dias nos Estados Unidos, os alunos criaram perfis dos projetos no Instagram para divulgar as iniciativas para o público.

(Fonte: Folha PE)

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